top of page

Multas da SUSEP em 2025 expõem falhas na Estrutura de Gerenciamento de Riscos e Capital nas seguradoras

  • Foto do escritor: Bruna
    Bruna
  • 11 de fev.
  • 3 min de leitura
Multas Susep 2025

Em 2025, a SUSEP aplicou sanções relevantes relacionadas à solvência prudencial no mercado segurador brasileiro.


Foram registradas:

  • 25 seguradoras com insuficiência de cobertura técnica

  • 12 seguradoras com insuficiência de capital mínimo


Considerando o universo de 352 empresas autorizadas, aproximadamente 10% do mercado apresentou falhas relacionadas à capital regulatório e provisões técnicas.

Esse número não é trivial.

Ele revela uma fragilidade estrutural.


O problema não é desconhecimento normativo

Após anos acompanhando estruturas de governança em seguradoras, minha leitura é clara:

A maioria das sanções por insuficiência de capital ou cobertura técnica não ocorre por desconhecimento regulatório.


Ocorre porque a Estrutura de Gerenciamento de Riscos e Capital (RAS) não está sendo utilizada como ferramenta prospectiva de decisão.

Em muitas organizações, a RAS:

  • Está formalmente implantada

  • Está documentada

  • Está aprovada pelo conselho


Mas não está integrada à estratégia.

Não orienta crescimento.

Não projeta capital em cenários adversos.

Não antecipa deterioração técnica.

Não gera alertas preventivos.

Quando a insuficiência aparece, o problema já se materializou.


Insuficiência de cobertura técnica: falha de governança atuarial integrada

A insuficiência de cobertura técnica indica que as provisões constituídas não são suficientes para suportar as obrigações assumidas.

Isso envolve:

  • Provisões de sinistros a liquidar

  • IBNR

  • Teste de adequação de passivos

  • Monitoramento da sinistralidade


Se a Estrutura de Gerenciamento de Riscos e Capital não acompanha esses indicadores de forma prospectiva, a seguradora passa a reagir ao risco, em vez de antecipá-lo.

Para diretores atuariais, financeiros e áreas de controles internos, isso é um sinal claro de desalinhamento entre risco técnico e governança.


Insuficiência de capital mínimo: ausência de gestão prospectiva de solvência

Já a insuficiência de capital mínimo revela falhas na gestão do capital regulatório, incluindo:

  • Monitoramento do Requerimento de Capital Regulatório (RCR)

  • Planejamento de capital

  • Simulações de estresse

  • Integração entre crescimento da carteira e exigência de capital


Muitas seguradoras monitoram o capital no presente.

Poucas projetam o capital de forma estruturada para 12 ou 24 meses à frente.

Sem stress testing consistente, a solvência deixa de ser estratégica e passa a ser apenas regulatória.


RAS formal não é RAS efetiva

Implantar RAS não significa apenas elaborar política ou matriz de riscos.

Uma Estrutura de Gerenciamento de Riscos e Capital efetiva deve:

  • Integrar risco, capital e planejamento estratégico

  • Projetar cenários adversos

  • Simular impactos de variação de sinistralidade

  • Monitorar indicadores críticos mensalmente

  • Produzir relatórios que influenciem decisão executiva


Quando a RAS é tratada como requisito documental, ela cumpre norma.

Mas não protege a instituição.


O que os dados de 2025 realmente mostram

Os números das multas da SUSEP em 2025 indicam que parte relevante do mercado ainda enfrenta dificuldades na gestão prudencial.

Solvência não é apenas um indicador contábil.

É reflexo direto da maturidade da governança.

A tendência regulatória aponta para maior rigor, maior responsabilização da alta administração e maior exigência de integração entre risco e estratégia.

A maturidade da Estrutura de Gerenciamento de Riscos e Capital será cada vez mais um diferencial competitivo entre seguradoras.


Minha visão

Governança prudencial não é acessória.

Ela é estrutural.

A diferença entre cumprir norma e antecipar vulnerabilidades está na forma como a RAS é utilizada.

Quando risco e capital passam a orientar decisões estratégicas, a solvência deixa de ser uma preocupação regulatória e se torna uma vantagem institucional.


Avaliar a efetividade da Estrutura de Gerenciamento de Riscos e Capital antes que vulnerabilidades se materializem é uma decisão estratégica.


Uma análise técnica independente pode identificar exposições prudenciais que não aparecem nos relatórios tradicionais.


Bruna Oliveira

Consultoria em Governança, Riscos, Compliance e Estrutura de Gerenciamento de Riscos e Capital para seguradoras

 
 
 

Comentários


Nosso foco é ajudar empresas a fortalecer sua governança, antecipando riscos e valorizando sua imagem institucional.

bottom of page